La magie se poursuit...

chuchotant, quand personne ne l'écoute.

Pai e Mãe,

(...)

A educação que vocês me deram, sempre afirmou, que o que os pais dizem é o que é certo. E eu acho que nunca vou deixar de ter certeza que o que vcs dizem pra mim é certo e é pro meu bem, mas o que eu penso, é que chega uma hora, que o filho tem que subir os degraus sozinho, tomar decisões, que talvez não sejam as mais seguras, e sim as mais incertas, arriscadas, mas que farão ele crescer, aprender, e acertar, ou errar; de qualquer forma, nutrir a autoconfiança, a personalidade, aquela coisa de "eu posso caminhar sozinho". E eu sinto, de verdade, que esse momento vem chegando na minha vida, e que essas coisas que vocês falam tantas vezes (mesmo sendo pro meu bem), talvez estejam sendo prejudiciais pro meu crescimento como pessoa.

Seguindo o raciocínio, por incrível que pareça, vocês me ensinaram que pra conseguir as minhas coisas, eu tenho que lutar por elas! E eu, sozinha, claro, a um tempo atrás coloquei na minha cabeça, que eu tenho que começar a correr atrás das coisas que eu quero, e não ficar "pai, faz isso pra mim?" ou "mãe, compra isso pra mim?" (o que ainda tem muitos defeitos, pq eu admito: sempre tive tudo de mão beijada, infelizmente. ;/ mas estamos evoluindo!!) Como exemplo, posso citar meu celular, que eu estou pagando, ou as contas, que eu tenho com vocês, e pago! A responsabilidade, que cresceu, e até mesmo as minhas notas na escola, que estão bem melhores, e estou me esforçando de verdade pra tudo dar certo e eu passar no vestibular logo, como mérito meu. São poucos exemplos, mas já é um começo, pequeno, mas um começo.

Bom, tudo que eu queria mostrar pra vcs (não sei se eu consegui me expressar bem), é que eu preciso de asas pra voar! Eu preciso meter a cara na vida, e cair pra aprender, pq eu tenho certeza que vcs aprenderam assim! Eu sei que eu sou filhA única. Mas eu peço, de verdade, não depositem a esperança de vocês em mim. Eu não sei o que pode acontecer, e acho que nem vocês.. Eu não sou uma princesinha, que vai casar com um príncipe rico, morar num castelo e viver feliz pra sempre. Eu quero viver, aprender, e não continuar tendo tudo de mão beijada como sempre aconteceu. Eu não sei se eu vou ser a melhor filha, mas prometo que vou tentar de tudo! Não quero decepcioná-los, mas pretendo viver a minha vida da melhor maneira possível. E por favor, confiem na educação que vocês me deram. Amo muito vocês!


Beijos,

Ana.



21/09/2008.

Contar uma história.

Ler e ouvir uma história.
Surpresas; mas não aquelas de festa surpresa.
Surpresas de verdade.
Absurdos; bons absurdos.
Qualidade do tempo de amor.
Música que acompanha, palco que preenche.
Improviso e inspiração.
Neles: amor, vida, trabalho.
Talento e alma.
Bonito e cheio;
Transbordando de azul, vermelho, amarelo.
De branco.
De transparente..
Ah, o inesperado..
O imprevisível!
O surpreendente..

não necessariamente nessa mesma ordem.

Qua coisa maluca que é esse nosso coração. O meu já foi bem mole, mas hoje em dia tá mais endurecido. Acho que a palavra é calejado. Poucas coisas deixam ele bem apertadinho, que quase some.
Mas uma das piores dores que alguém pode sentir é quando alguém que você goste muito (poucas, pouquíssimas pessoas tem esse valor pra mim) vem chorar no seu ombro. Mas assim, chorar mesmo. Quando você vê que a pessoa tá sofrendo mesmo..
É quase como perder alguém querido. Você se vê impotente, sem poder fazer nada pra pessoa melhorar.. tenta distrair da maneira como pode, mas a dor mesmo, só passa como tempo..
E eu que sou bem agoniada pra ver quem eu amo feliz, enlouqueço, tentando tirar/cessar/matar/acabar com a dor de qualquer maneira; pegaria pra mim se fosse possível!!!
"Passa todo esse sofrimento pra mim, mas não sofre desse jeito, por favor..."
Por que eu já to sofrendo junto de qualquer maneira..
E a vontade de matar o motivo?! De acabar a qualquer custo com quem teve a infelicidade de colocar tanto sofrimento dentro de alguém que não merece nenhum??? Ai ai ai...

Confesso que dou valor pra pouquíssimas pessoas. Faço o meu melhor por pouquíssimas pessoas.. Talvez devesse aumentar o leque de possibilidades, mas eu acho que quando você se dedica pra menos "assuntos", você se dedica com mais qualidade. E tem gente que merece mesmo.. assim como tem gente que não merece nem um pouco. Nem um filhetinho de dedicação. Nem um pouquinho de credibilidade..
Já dei credibilidade pra muita gente que não merecia. E a gente vai tomando um monte de "bolas de tênis na nuca", mas vai aprendendo que não é "todomundo" que merece. Assim como não é "ninguém" que merece.
Tá difícil de distinguir, mas um pontinho de vontade surge de vez em nunca dentro de mim.. os intervalos de aparição estão cada vez maiores.. só espero que ele não suma de vez! Ainda quero ser feliz...
Comecei no A, parei no Z. Aí vai!

"Quando a possibilidade de um relacionamento entre eles se esfarelou, Emma lutou para se proteger diante da indiferença de Dexter, e agora uma observação daquelas não causava mais dor do que, digamos, uma bola de tênis atirada na nuca. Ela mal acusava o golpe...

(...)
...tomando outra bolada de tênis na nuca.
(...)
As bolas de tênis chegavam cada vez mais rápidas, com uma ou outra bola de críquete no meio. Emma se espreguiçou e olhou para o céu..."

É difícil te ver assim na mão de alguém.

Não, não queria que fosse mais ninguém, mas também não queria que fosse você.
Sempre torci para que tudo desse certo na sua vida, mesmo quando não estava presente, e parece que cada vez mais você diverge pra um lugar onde está estampado no ar que as coisas não vão dar certo...
Enfim! O que eu posso fazer é ficar por trás dos panos, te apoiando como posso e pode ter certeza que eu vou segurar sua mão se/quando você cair!
Se o amor não foi embora até hoje, tá na hora de eu aprender a lidar com ele da maneira como a vida me permite..
Mas ainda dói..

É engraçado como as pessoas entram e saem da nossa vida num piscar de olhos.
Alguns entram, mudam sua vida de cabeça pra baixo, e quando você tá lá, no fundo do poço, eles simplesmente vão embora. E aí aparecem outros, que te ajudam a sair do fundo do poço, e aí continuam com você por aí.. durante toda a jornada da sua vida..
Hoje uma pessoa entrou de vez na minha vida. Fez uma coisa que nunca ninguém antes tinha feito por/pra mim. E hoje eu sei que ela realmente me quer bem. E me quer do lado dela...
Que me ama como eu sou, e melhor do que isso, acha o que eu sou, incrível.
Na vida não é fácil conhecer pessoas boas.. E eu tenho certeza que você entrou no meu caminho pra ser uma das melhores que já passaram (e ficaram!) nele. As vezes eu tenho vontade de te colocar numa caixinha e te ter só pra mim. Mas privar o mundo da sua alegria, seu coração enorme, lindo, do amor que você tem pra dar e ensinar, seria muito egoismo! (:
Tenho certeza absoluta que de você, eu nunca vou esquecer. E te quero pra sempre pertinho de mim, sendo meu pirulitinho.

Te amo muito!



"And I don't want to cry when you go,
stay a little longer, you know...
You're making me feel
The monsters aren't real.
You're making me feel
I'm not alone!"

por Ana Flávia C. Ramos, em Tabnarede

Tragédias como a ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, sempre provocam grande comoção pública, indignação e, obviamente, tristeza pelas muitas crianças perdidas no atentado. Além desses sentimentos, tais fatos provocam também um grande tsunami de “especialistas”, mobilizados em velocidade estonteante pela mídia, para dar laudos e explicações quase matemáticas sobre as motivações do assassino. O atirador Wellington Menezes de Oliveira, segundo as informações desses “cientistas da tragédia” (que variam de “criminólogos” a policiais militares), era tímido, solitário, filho adotivo, “usuário” constante do computador (a “droga” dos tempos modernos segundo os “analistas”), ateu, islâmico, fanático, fundamentalista, portador do vírus da AIDS e, provavelmente, vítima de bullying na escola.

Certamente não há como contestar que todo ato humano, e por isso histórico, se explica a partir da análise de uma cadeia de relações complexas. Como digo aos alunos, nada tem resposta simples e direta. Entretanto, o tipo de questão levantada para entender o terrível ato de Wellington Menezes de Oliveira diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre ele. Todos os nossos preconceitos estão embutidos nessas respostas. De fato, não sabemos, e talvez nunca saibamos, por que exatamente ele atirou contra cada uma das crianças (em sua maioria meninas), assim como não sabemos sobre as reais motivações dos muitos atentados como esse, ocorridos em países como Estados Unidos e Dinamarca. Mesmo depois de tudo o que se discutiu, ainda é difícil, por exemplo, explicar Columbine (abril de 1999).

Uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a recorrência da explicação que elege o bullying escolar como um dos fatores que podem desencadear esse tipo de ato violento. A explicação não é nova, Columbine é prova disso. Há mais de dez anos atrás, dois meninos entram em uma escola, de capa preta (quase como em um filme hollywoodiano) e atiram em seus colegas. “Especialistas”, gringos agora, se apressam em dizer as razões: divórcio nas famílias, videogames, filmes violentos, Marilyn Manson, porte de armas facilitado e, como não poderia faltar, bullying na escola. É inegável que o bullying é uma realidade. É indiscutível que ele é extremamente nocivo e doloroso aos alunos que sofrem com ele. É evidente que há urgência em iniciar um debate para saber como sanar o problema. Mas a pergunta que fica é: o que de fato é o bullying? Ele é um sinal (histórico) de que? E ainda mais: ele é um problema restrito à escola? Por que os alunos são tão cruéis com seus colegas?

A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.

Wellington matou mais meninas na escola carioca. Se, por um lado, jamais saberemos as reais razões que o fizeram agir dessa forma, por outro sabemos o quanto a sociedade brasileira tem sido, no mínimo, indulgente com atos de intolerância, machismo, ódio e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. Se não há uma ligação direta entre esses diversos acontecimentos, eles pelo menos nos fazem pensar o quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios? Quantas mulheres morrerão hoje vítimas do machismo? Quantos gays sofreram violência física? Quantos negros sentirão declaradamente o ódio racial que impregna o nosso país? O que é o bullying se não o prolongamento para a escola desse tipo de mentalidade? Quantas pessoas apoiaram as declarações de ódio de Bolsonaro via Facebook? Aquilo que acontece no ambiente escolar nada mais é do que um microcosmo do que a sociedade elege como valores primordiais. E o Brasil, que por tanto tempo negou a “pecha” de racista e preconceituoso, vê sua máscara cair.

Não adianta culpar o bullying, achando que ele é um problema de jovens, um problema das escolas. Não adiante grades e detectores de metal nas entradas ou a proibição da venda de armas. Como professora, sei que o que os alunos reproduzem em sala nada mais é do que ouviram da boca de seus pais ou na mídia. Não adianta pedir paz e tolerância no colégio enquanto a mídia e a sociedade fazem outra coisa.
Na escola, o problema do bullying é tratado como algo independente da realidade política, econômica e social do país. Mas dá pra separar tudo isso? Dá pra colocar a questão só em “valores” dos adolescentes, da influência do malvado do computador ou dos videogames? Ou é suficiente chamar o ato de Wellington de uma “violência pós-moderna” sem explicação? Das muitas agressões cotidianas, a da escola do Realengo é apenas uma demonstração da potencialidade de nossos ódios. A única coisa que me pergunto é: teremos a coragem de fazer esse tipo de discussão?

Ana Flávia C. Ramos é professora, historiadora pela Unicamp

Sometimes the world tries to knock it out of you. But I believe in music the way that some people believe in fairy tales.. The music is all around us.. all we have to do, is listen...

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A melhor parte de ser eu é que eu não preciso me explicar pra ninguém. Que me apontem os dedos, me estiquem as línguas, me cuspam, me joguem pedras. Cada um sabe a delícia de ser o que é.